estamos distantes
- hinchadaprofile
- 17 de jun. de 2024
- 2 min de leitura
a Copa América vai começar, e nada enche os olhos do brasileiro. os resultados são ruins, os jogos são disputados do outro lado do continente, e a distância emocional é ainda maior do que a física.
a 'brincadeira' de Ronaldinho Gaúcho, pra muitos, refletiu sua realidade. seu sentimento de indiferença a uma Seleção que, hoje, parece tudo menos brasileira.
as proibições internas também afetam o torcedor. não pode cabelo colorido, não pode música, não pode nada. nada do que foi a essência do Brasil por anos: um futebol alegre e um vestiário mais ainda. o samba, os passinhos, as brincadeiras.
em tempos de crise política, a Seleção é afetada. em uma postura conservadora crescente no Brasil, o vestiário se torna conservador. o futebol, mais ainda. tão conservador que quase não aparece.
um empate contra os Estados Unidos no último jogo pré-Copa América. um futebol sem brilho, com a esperança nas mãos de um menino de 17 anos que sequer é escalado como titular.
e o Brasil, mais uma vez, segue uma onda contrária ao restante das seleções.
Mbappe e Thuram se posicionam sobre a situação política da França. ressaltam que é necessário combater a extrema-direta, que todos os jogadores da seleção pensam dessa mesma forma e estão unidos para que o respeito e a tolerância prevaleçam. e ainda conscientizam os jovens da importância do voto.
alguns jogadores da Argentina, mais uma vez, relembraram com orgulho o fim da ditadura. lembram, constantemente, a fatalidade das Malvinas e como isso afetou seu povo.
no Uruguai, em 20 de maio, jogadores da seleção, como Piquerez e Luis Suarez, além de clubes e torcidas, se posicionaram na marcha do silêncio. pedidos de memória, justiça e verdade pelos desaparecidos durante a ditadura militar.
nós somos a exceção. a Seleção parece estar nem aí pro seu povo, pra sua história, pras suas dores.
estamos distantes.



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