A Guernica, a Seleção Basca e o Franquismo: como a arte e o futebol complementam a história
- Giulia Vanni

- 5 de jun. de 2024
- 2 min de leitura
Em 26 de abril de 1937, aviões alemães da Legião Condor bombardearam Guernica, no País Basco (Euskadi), durante a Guerra Civil Espanhola.
Antes do bombardeio, a cidade de Guernica era a capital basca da cultura e da tradição. Depois, ela se tornou o símbolo de resistência e orgulho basco contra as forças centralizadoras e nacionalistas espanholas.
A Seleção Basca (Euzkadiko Selekzioa)
No ano de 1937, os jogadores convocados para representar o País Basco iniciavam uma turnê beneficente para levantar fundos de ajuda no contexto da guerra.
O dinheiro era revertido para recursos, hospitais, órfãos e vítimas de guerra, além de propaganda contra os aliados do General Franco -- principalmente Adolf Hitler e Benito Mussolini. Também era uma forma de fazer com que o resto do mundo notasse a situação da Espanha.
A Euzkadi em 1937
As principais estrelas da seleção eram atletas do Real Madrid: os irmãos Pedro e Luis Regueiro, bascos de berço.
Na época, o Real Madrid era uma representação do sentimento nacionalista espanhol. Mesmo com a supervisão do General Francisco Franco, os irmãos Regueiro não deixaram de lutar por suas causas.
No dia 26 de abril de 1937, enquanto os aviões alemães destruíam seu território, a Euzkadiko Selekzioa vencia seu primeiro amistoso. Um 3 a 0 contra o Racing, em Paris. Na manhã seguinte, a notícia chegou aos atletas.
Luis Regueiro assumiu a responsabilidade de estabilizar a equipe mentalmente. Eles, então, seguiram a viagem. Até que, finalmente, chegaram à União Soviética.
Panfleto para Lokomotiv Moscow x País Basco, em 1937. Os bascos venceram por 5 a 1.
Foi ali, em Moscou, que o time, ao entrar em campo pela última vez, recebeu a notícia da queda de Bilbao para a ditadura Franquista.
Apesar dos recursos e dos esforços, o País Basco foi tomado. E seus representantes em campo se tornaram exilados.
Muitos tiveram que passar o resto da vida sem retornar a Euskadi. Outros, que sobreviveram até 1975, conseguiram voltar para casa após a morte de Franco.
Enquanto estes viviam em exílio, a população Basca e o Athletic Bilbao começavam sua luta interna contra o fascismo. Mas isso é história para um próximo capítulo.
Guernica, por Pablo Picasso
No dia 26 de abril de 1937, enquanto os aviões alemães destruíam território basco, o artista Pablo Picasso abandonou uma obra de arte para criar outra muito mais importante.
A Guernica (Gernikara) ficou pronta em junho do mesmo ano. Ela foi feita para a Exposição Internacional de Paris. Picasso tinha outra obra em criação para o evento, mas foi muito afetado pela situação do povo basco.
Com enfoque no sofrimento causado pela Guerra Civil Espanhola, o artista espanhol definiu a obra cubista como 'uma declaração de guerra contra a guerra e um manifesto contra a violência'.
Ela era um protesto contra o fascismo.
A Guernica se trata de uma interpretação das fotos divulgadas pelos jornais da época. Ilustra o sofrimento, o desespero e os gritos de horror.
Há, ainda, um conto sobre uma revista no apartamento de Picasso em Paris.
Um oficial nazista aponta para a Guernica na parde e pergunta: "Foi você quem fez isso?".
E Picasso responde: "Não. Foram vocês".
A Guernica, por Pablo Picasso (1937).






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